LIVROS I E II REIS
INTRODUÇÃO
O livro é escrito com esquemas esquema simples e sobretudo segunda e maior parte, aquela dos reinos separados. Seu enredo é formado pelas notícias sobre cada um dos reis, quer de Judá, quer de Israel, dividindo em três partes:
- Introdução: Fala sobre a duração do reinado para os reis de Judá, também os anos de idade à elevação ao trono e nome da rainha-mãe.
- Desenvolvimento: qualidades morais relativamente à religião e ao culto mosaico.
- Referências a algum fato mais relevante.
- Epílogo: envio para notícias mais amplas, aos "anais dos reis" (de Judá ou de Israel, segundo o caso), morte e sepultura.
Inserem-se os mais amplos e minuciosos relatos de coisas concernentes à religião e à atividade dos profetas, entre os quais destaca-se as grandiosas figuras de Elias e Eliseu. O interesse religioso, o autor fixa seu olhar nos poucos acontecimentos políticos narrados com pormenores fora do comum, como as ações de Acab (1Rs cc. 20-22), a ascensão de Jeú ao trono (2Rs 9:1-7), o cerco e libertação de Jerusalém do exército de Senaquerib (2Rs 18:13-19:37). Essas notícias formam o livro, com os perfis dos reis, donde lhe vem o título usual. Estas informações foram passadas pelos profetas a viva voz ou por escrito ou pelos discípulos dos mesmos.
O valor histórico do livro dos Reis é incontestável. Inscrito pela inspiração divina, é confirmado por documentos paralelos da história profana, cabendo a primazia à assírio-babilônica, que aqui se nos apresenta com tão grande riqueza, não igualada para nenhum outro livro do Antigo Testamento.
Não podemos afirmar quem seja o autor de Reis nem a data da sua existência; seu nome permanecerá provavelmente para sempre ignorado, ao passo que a idade pode ser deduzida do próprio livro. Parecer provável, que o autor teria terminado a sua obra entre os anos 560 (37° da prisão de Joiaquim) e 538 a.C., que marca o fim do exílio babilônico, porque não faz nunca alusão ou referência a este grande acontecimento.
É visível o caráter religioso desta história dos reis. Pelos numerosos ensinamentos de doutrina e vida religiosa, especialmente pelas mencionadas atividades dos profetas, que ocupam continuamente o centro da cena, e nas reflexões sobre o procedimento dos reis e dos povos. Podemos notar que, enquanto no reino de Israel houve em apenas dois séculos (c. 930-730 a.C.), nada menos de oito mudanças de dinastia, no vizinho e politicamente mais fraco reino de Judá dominou, por mais de 4 séculos (c. 1010-586 a.C.), constante e invariavelmente a descendência de Davi, embora não faltassem as violências e os contrastes a partir do exterior (intromissões de Atalia, de Necao, de Nabucodonosor). Verificava-se assim a promessa divina feita a Davi por boca do profeta Natan (2 Sam 7), anúncio e penhor do reino do Messias, filho de Davi por excelência (Lc 1:32), insigne pedra miliar na preparação da salvação humana.
CONTEXTO HISTÓRICO
Os acontecimentos descritos em II Rs abrangem um período de cerca de 300 anos. Recorda as turbulentas experiências do povo de Deus desde o reinado de Acazias (o nono rei Israel) ao redor de 853 aC., incluindo a queda de Israel para a Assíria em 722 aC, passando pela deportação de Judá para a Babilônia em 586 aC e terminando com a libertação do rei Joaquim em 560 aC. Esse foi um período difícil da história do povo de Deus, foram grandes mudanças e sublevações. Havia luta interna e pressão externa. O resultado foi um momento tenebroso na história do povo de Deus: colapso e conseqüente cativeiro de ambas as nações.
CONTEÚDO
Nos livros de I e II Rs eram, originalmente, um só livro, que continuava a história contada em 1 e 2 Sm. Os compositores do AT grego (Septuaginta ou LXX) dividiram a obra em “3 e 4 Reinos” (I e II Sm eram 1 e 2 Reinos). O Título “Reis” se deriva da tradução latina de Jerônimo (Vulgata), o que é bastante propriado por causa da ênfase desses livros nos reis que governaram durante este período.Os livros registraram os eventos históricos do povo de Deus no lugar em que I e II Sm interrompem. No entanto, II Rs é mais do que uma simples compilação de acontecimentos políticos importantes ou socialmente significativos em Israel e Judá. Na realidade, não contém uma narrativa histórica tão detalhada como se poderia esperar (300 anos em 25 capítulos). Ao contrário, II Rs são uma narrativa histórica seletiva, com um propósito teológico. O escritor seleciona e enfatiza o povo e os eventos que são significativos no plano moral e religioso. Em II Rs, Deus é apresentado como Senhor da história.2Rs retoma a história trágica do “reino divido” quando Acazias está no trono de Israel e Josafá governando sobre Judá. Assim como I Rs, é difícil seguir o fluxo da narrativa. O Autor ora está falando do Reino do Norte, Israel, ora do Reino do Sul, Judá, traçando simultaneamente suas histórias. Israel teve 19 governantes, todos ruins. Judá foi governada por 20 regentes, dos quais apenas oito foram bons. II Rs recorda a história do últimos 10 reis e dos últimos 16 governantes de Judá. Alguns desses 26 governantes são mencionados em apenas poucos versículos, enquanto que capítulos inteiros são dedicados a outros. A atenção maior é dirigida àqueles que ou serviram de modelo de integridade ou que ilustram por que essas nações finalmente entraram em colapso.
CRISTO REVELADO PELOS REIS FRACASSADOS
O fracasso dos profetas, sacerdotes, e reis do povo de Deus aponta para a necessidade do advento de Cristo. Cristo é a expressão desse três ofícios. Como profeta, a palavra de Cristo ultrapassa largamente à do ofício. Como profeta, a palavra de Cristo ultrapassa largamente à do grande profeta Elias (Mt 17.1-5), Muitos dos milagres de Jesus são reminiscências das maravilhas que Deus fez através de Elias e Eliseu em Reis. Além disso, Cristo é um sacerdote superior a qualquer daqueles registrados em Reis (Hb 7.22-27). 1Rs ilustra vivamente a necessidade de Cristo como o nosso Rei em exercício de suas funções. Quando perguntado se era rei dos judeus, Jesus afirmou que era (Mt 27.11). No entanto, Jesus é um Rei maior do que o maior dos seus reis (Mt 12.42). O reinado de cada um desses 26 governantes já terminou, mas Cristo reinará sobre o trono de Davi pra sempre (I Cr 17.14; Is 9.6), pois ele é “REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.16).
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