ESCOLA DE TEOLOGIA CRISTA
INTRODUÇÃO BÍBLICA - BIBLIOLOGIA
Introdução Bíblica
Prfº
Alexandre César
Igarassu-PE, 2011
I - Conhecendo à Bíblia
a - O que é a Bíblia? A
palavra Bíblia significa "livros", e vem do grego (língua em que foi
escrito o Novo Testamento) "ta biblia" (ta biblia)-
ou seja, os livros. “Bíblia” é uma palavra que não aparece na
Bíblia. Ela
vem do termo grego biblos, por causa da cidade fenícia de Biblos, um importante
centro produtor de rolos de papiro usados para fazer livros. Com o tempo, a
palavra biblos passou a significar “livro”. Biblia é a forma plural
(“livros”). A Bíblia, na verdade, é uma coleção de livros. Ela
também é conhecida simplesmente como “o Livro”, “o Livro dos Livros”, “o Livro
Sagrado”. O plural justifica-se pelo fato da a Bíblia não ser um livro somente,
mas uma biblioteca composta de 66 livros, sendo que 39 pertencem ao Antigo
Testamento e 27 ao Novo
Testamento. A
Bíblia aprovada pela Igreja Católica contém 73 livros, isto é, sete livros a
mais que as Bíblias não católicas. Esses são os ditos livros Deuterocanônicos,
considerados apócrifos por evangélicos e judeus em geral. Os
cristãos acreditam que alguns homens escreveram a Bíblia inspirados por Deus e
por isso consideram que a Bíblia é a Escritura Sagrada. No entanto, nem todos
os cristãos acreditam que a Bíblia deve ser interpretada de forma literal, e
muitos consideram que muitos dos textos da Bíblia são textos metafóricos ou
que são textos datados que faziam sentido no tempo em que foram
escritos, mas foram perdendo
atualidade. Para
os judeus, principalmente os ultra-ortodoxos, a Bíblia é mais que um texto
sagrado, a Bíblia é um organismo vivo, ela vive, é uma entidade viva e divina,
ela participa da divindade, ela foi escrita por Deus, a Bíblia é Deus! Pois
tudo que foi, tudo que é e tudo que será estar incluído na Torah da primeira
até a última palavra até o fim dos tempos. A
Bíblia Hebraica contém o relato das palavras de Deus e de seus feitos em favor
do povo de Israel, a quem chamou para que fosse “luz para os gentios” (Is 42.
6). Esses “eventos” foram transmitidos inicialmente de forma oral,
de geração para
geração. Durante
o exílio e depois dele (500 a.e.c.), escribas copilaram esses escritos,
transformando-os em livros. Estima-se que a Torá foi concluída em 400 a.e.c.,
os Livros Históricos e os Profetas por volta de 200 a.e.c. e os Livros de
Sabedoria em 100 a. c. Os
não crentes vêem a Bíblia como um livro comum, com importância histórica e que
reflete a cultura do povo que os escreveu. Os não crentes recusam qualquer
origem divina para a Bíblia e consideram que a Bíblia deve ter pouca ou nenhuma
importância na vida moderna, ainda que na generalidade se reconheça a sua
importância na formação da civilização ocidental (apesar de a Bíblia ter origem
no oriente).
b - Quais as línguas bíblicas? Foram utilizadas três línguas diferentes na escrita dos diversos livros
da Bíblia: o hebraico, o grego e o aramaico. Em hebraico foi escrito todo o
Antigo Testamento, com exceção dos livros chamados deuterocanônicos, e de
alguns capítulos do livro de Daniel, que foram redigidos em aramaico. Em grego,
além dos já referidos livros deuterocanônicos do Antigo Testamento foram
escrito todo o Novo Testamento. O hebraico utilizado na Bíblia não é todo
igual. Encontramos em alguns livros o hebraico clássico (Ex. livros de Samuel e
Reis), noutros um hebraico mais rudimentar e noutros ainda, nomeadamente os
últimos a serem escritos, um hebraico elaborado, com termos novos e influência
de outras línguas circunvizinhas. O grego do Novo Testamento, apesar das
diferenças de estilo entre os livros, corresponde ao chamado grego Koiné, isto
é, o grego comum falado então mais ou menos em todo o oriente do Império
Romano
c – Cânone Bíblico - Designa o inventário ou lista
de escritos ou livros considerados pela religiões cristã como tendo evidências
de Inspiração Divina. Cânone, em hebraico é qenéh e no grego kanóni, têm o
significado de "régua" ou "cana [de medir]", no sentido de
um catálogo. A formação do cânone bíblico se deu gradualmente. Foi formado num
período aproximado de 1 500 anos. Os cristãos protestantes acreditam que o
último livro do Antigo
Testamento foi
escrito pelo profeta Malaquias.
Para os católicos e ortodoxos foi o Eclesiástico ou Sabedoria de Sirácida. Segundo a literatura judaica,
Esdras, na qualidade de escriba e sacerdote, presidiu um conselho formado por
120 membros chamado Grande Sinagoga que teria
selecionado e preservado os rolos sagrados. Alguns acreditam que naquele tempo
o Cânone das Escrituras do Antigo Testamento foi fixado (Esdras 7:10,14).
Entretanto esta tese é desacreditada pela crítica moderna. Os estudiosos
concordam que foi essa mesma entidade que reorganizou a vida religiosa nacional
dos repatriados e, mais tarde, deu origem ao Supremo Tribunal Judaico, denominado Sinédrio. Apesar da antiguidade dos livros
bíblicos, os manuscritos mais antigos que possuímos datam a maior parte dos
sécs. III-IV. Tais manuscritos são o resultado do trabalho de copistas que,
durante séculos, foram fazendo cópias dos textos, de modo a serem transmitidos
às gerações seguintes. Transmitido por um trabalho desta natureza o texto
bíblico, como é óbvio, está sujeito a erros e modificações, involuntários ou
voluntários, dos copistas, o que se traduz na coexistência, para um mesmo
trecho bíblico, de várias versões que, embora não afetem grandemente o
conteúdo, suscitam diversas leituras e interpretações dum mesmo texto. O
trabalho desenvolvido por especialistas que se dedicam a comparar as diversas
versões e a selecioná-las, publicando os resultados, denomina-se Crítica
Textual. A grande fonte hebraica para o Antigo Testamento é o chamado Texto
Massorético. Trata-se do texto hebraico fixado ao longo dos séculos por escolas
de copistas, chamados Massoretas, que tinham como particularidade um escrúpulo
rigoroso na fidelidade da cópia ao original. O trabalho dos massoretas, de
cópia e também de vocalização do texto hebraico (que não tem vogais, e que, por
esse motivo, ao tornar-se língua morta, necessitou de as indicar por meio de
sinais), prolongou-se até ao séc. VIII d.C. Pela grande seriedade deste
trabalho, e por ter sido feito ao longo de séculos, o Texto Massorético
(abreviatura: TM) é considerado a fonte mais autorizada para o texto hebraico
bíblico original. No
entanto, outras versões do Antigo Testamento têm importância, e permitem suprir
as deficiências do texto Massorético. É o caso do Pentateuco Samaritano (os
samaritanos eram uma comunidade étnica e religiosa separada dos judeus, que
tinham culto e templo próprios, e que só aceitavam como livros sagrados os do
Pentateuco), e principalmente a chamada versão dos
Setenta. A Bíblia dos Setenta, ou Septuaginta (abreviatura: LXX), designa a
tradução grega do Antigo Testamento, elaborada entre os séculos IV e II a.C., provavelmente
no Egipto. O seu nome deve-se à lenda que referia ter sido essa tradução um
resultado milagroso do trabalho de 70 sábios, e que pretende exprimir que não
só o texto, mas também a tradução fora inspirada por Deus. A versão dos LXX é a
mais antiga versão do Antigo Testamento que conhecemos. A sua grande
importância provém também do fato de ter sido essa a versão da Bíblia utilizada
entre os cristãos, desde o início, e a que é citada na grande parte do Novo
Testamento. Da
versão dos LXX fazem parte, além dos livros da Bíblia Hebraica, os
deuterocanônicos (aceites pela Igreja Católica, mas não por judeus nem
protestantes), e alguns apócrifos (não aceites como sagrados por nenhuma das
religiões ou Igrejas). O Novo Testamento, escrito em grego, encontra-se em
muitos manuscritos, que apresentam muitas variantes. Diferentemente do Antigo
Testamento, não há para o Novo Testamento uma versão a que se possa chamar, por
assim dizer, normativa. Há, contudo alguns manuscritos mais importantes, pela
sua antiguidade ou credibilidade, e que são o alicerce da Crítica
Textual. Outra
versão com importância é a chamada Vulgata, ou seja, a tradução latina de São
Jerônimo, elaborada no séc. IV-V, e que foi utilizada durante muitos séculos
pelas Igrejas Cristãs do ocidente.
Livros
da Bíblia
A Bíblia é um conjunto de escritos
muito antigo. Foi composta ao longo de um período de cerca de 1500 anos por uns
40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais,
segundo a tradição. No entanto, exegetas cristãos divergem cada vez mais sobre
a autoria e a datação das obras. Ela teria começado a ser escrito por volta de
1500 a.e.c. e recebido o último retoque nos textos em 100 e.c., tendo o cânone
sendo fixado em definitivo bem posteriormente (existem teorias controversas) e
a divisão em capítulos e versículo que conhecemos hoje deve ter surgido em 1550
ou 1600 e.c. É quase um consenso
de que a maioria delas foi escrita ou por pessoas que elegeram patronos, ou coletivamente e ao longo dos séculos.
Antigo
Testamento
Pentateuco
Gênesis - Êxodo - Levítico - Números – Deuteronómio
Livros
Históricos
Josué - Juízes - Rute - I Samuel - II
Samuel - I Reis - II Reis - I Crônicas - II Crônicas - Esdras - Neemias -
Tobias - Judite - Ester - Macabeus
Jó (ou Job) - Salmos - Provérbios -
Eclesiastes (Coélet) - Cânticos dos Cânticos - Sabedoria - Eclesiástico
(Sirácida)
Isaías - Jeremias - Lamentações -
Baruc - Ezequiel - Daniel - Oséias - Joel - Amós - Obadias (ou Abdias) - Jonas
- Miquéias - Naum - Habacuque (ou Habacuc) - Sofonias - Ageu - Zacarias -
Malaquias
Novo
Testamento
Mateus - Marcos - Lucas - João - Atos
dos Apóstolos - Romanos - I Coríntios - II Coríntio] - Gálatas - Efésios -
Filipenses - Colossenses - I Tessalonicenses - II Tessalonicenses - I Timóteo -
II Timóteo - Tito - Filémon - Hebreus - Tiago - I Pedro - II Pedro - I João -
II João - III João - Judas - Apocalipse
Tobias - Judite - I Macabeus - II
Macabeus - Sabedoria - Eclesiástico - Baruc - Adições em Ester - Adições em
Daniel
Geografia Bíblica
1. - O que é Geografia?
A Geografia (do grego geo=terra; grafia= descrição, tratado, estudo) é a
Ciência que estuda a Terra na sua forma. Ou seja, estuda os acidentes físicos;
o clima; as populações, as divisões políticas etc. Assim, é descrição da terra.
Modernamente, é a ciência que estuda a organização do espaça terrestre,
determinada pala convergência de fatores físicos, biológicos, e sociais,
desenvolvido pelo homem. Neste sentido, a Geografia subdivide-se em diversas
outras disciplinas: a Geografia Humana, a Geografia Econômica, a Geografia
Física, a Geografia Política e a Geografia Histórica, dentre outras.
2. Ciências auxiliares à Geografia.
a) História, b) Geologia, c)
Arqueologia e, d) Paleontologia
3. Definição de Geografia Bíblia
Segundo Netta Kemp de Money: "A Geografia Bíblica ocupa-se do
estudo sistemático do cenário da revelação divina e da influência que teve o
meio ambiente na vida de seus habitantes". Geografia Bíblica é o ramo da introdução bíblica cuja finalidade é
localizar, descrever e explicar as diferentes paisagens que são descritas nas
Escrituras Sagradas, além de observar como o homem se organizou no espaço
terrestre em que viveram os povos bíblicos.
4. Divisão da
Geografia Bíblica
1. Geografia do Antigo Testamento
2. Geografia do Novo Testamento
5. Distribuição da Geografia Bíblica
a) Geral,
b) Regional,
c) Física - Climatologia, Biogeografia, Hidrografia e Humana.
6.
Relação entre Geografia Bíblica e Geral
A Geografia Bíblica é uma ciência auxiliar à exegese (principal
importância da disciplina). Alguns a classificam como um ramo da Geografia
Geral, apesar dos cursos superiores de geografia jamais considerarem a
Geografia Bíblica um sub-ramo de seu campo.
7. Instrumentos que auxiliam no estudo da Geografia Bíblica
a. Bíblia
b. Cartografia
8. O Mundo Bíblico:
A região que denominamos Mundo Bíblico situa-se, hoje, nas regiões
conhecidas como Oriente Médio e mediterrânicas (Ver mapa do Mundo Bíblico).
Podemos apontar como áreas limites do Mundo Bíblico a Península Ibérica, a
ocidente, e o atual Iraque, a oriente. Os países que são encontrados hoje
nestas regiões são: Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, os diversos
países balcânicos, Turquia, Egito, Israel, Jordânia, Líbano, Síria, Iraque,
Irã, Arábia Saudita e vários emirados árabes (use o mapa Mundo para localizar
estas regiões e, ao mesmo tempo, verificar a distância entre estes países e o
Brasil).
Principais áreas do Mundo Bíblico:
a) Mesopotâmia, b) (Península
Arábica, c) Egito, d) Canaã e, e) Europa
Principais Povos Bíblicos
a) Sumérios
b) Acádios
c) Egipcius
d) Cananeus
e) Filisteus
f) Assírios
g) Babilônios
h) Médos
i) Persas
j) Helênicos (gregos)
k) Macedônios
l) Romanos
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