quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Weber : Capitalismo e Modernismo

A diferença entre o burocrata moderno e os funcionários antigos.
             As instituições burocráticas na sociedade moderna, adquiriram  um jeito peculiar de sistemas formais. A autoridade vem  de normas legais específicas que ditam o comportamento previsível e controlado dos funcionários. A hierarquia funcional e as atribuições são acompanhados de suas devidas responsabilidades  e são regidas e controladas pelos estatutos, com o objetivo de evitar supervisões e futuros imprevistos.
            Existe uma centralização de decisões, tendo como meio de comunicação métodos tradicionais como memorandos, ofícios, dificultando assim uma ampla visão  dos  resultados obtidos através das atividades desenvolvidas.
            As decisões sobre qualquer atividade ou planejamento não podem ser ou ter influência do  ponto de vista do funcionário, de seus valores pessoais ou sua opinião  moldada pelo seu censo crítico ou moral,, mas obediência a hierarquia profissional. Deve submeter-se a seu chefe imediato, cargo este a cima do seu.
Significado de profissão dentro da estrutura burocrática moderna.
             O profissional deve ter uma especialização técnica e exercer apenas uma função, de acordo com o seu cargo deve ser seu desempenho, deve demonstrar eficiência no cumprimento de suas atividades profissionais. O chefe por sua vez administra e confere o andamento das atividades apenas de seu departamento, sendo observado apenas seus subordinados diretos, a produção ou desenvolvimento de modo geral está ligado apenas a seu superior. A avaliação de modo complexo é feita por meio de auditoria e processos internos.
A convocação dos chefes de cargos é realizada por desempenho, ou por troca de favores. Sua escolha  é feita de acordo com sua eficiência técnica e sua aptidão.
 Efeitos da instituição burocrática para as relações sociais no capitalismo.
                 Para Weber, um grande observador da sociedade, este sistema é o mais próximo do democrático, promovendo oportunidades iguais, premiando o sucesso pessoal. Detém o poder aquele que for mais competente, pois não existe aqui troca de favores nem tão pouco existe privilégios, há transparência nos processos de seleção e admissão. No entanto no mundo contemporâneo o homem lida com um grande aparato organizacional e de metodologias de planejamento para a realização das avaliações que classificam sua competência, contando com uma grande ferramenta de marketing para   criar condições de gerenciamento e crescimento de uma empresa, hospital, universidades, bancos, nos esportes, tendo um sofisticado planejamento para adquirir  sucesso em qualquer que seja o empreendimento.
                Podemos vislumbrar a valorização do homem como pessoa e como profissional, quando este se mostra e agi com desprendimento, com opinião formada sobre os fatos e interagem e reagem diante das decisões que serão tomadas a partir da igualdade de todos opinarem e participarem de elaboração, criação e execução dos planejamentos e cumprimento das metas pré-estabelecidas nas instituições.
                Weber  foi incisivo quando escreveu que a cobiça, avareza, agressão, existem desde sempre, mas também falou que depois de Lutero nova atitude aconteceu, onde se concentrava menos riquezas e mais trabalho. Weber dentre tantas outras afirmações declarou “A lealdade moderna é dedicada a finalidades impessoais ou funcionais.” (WEBER,1974;232)
Weber, os ideais ascéticos foram essenciais para a consolidação do capitalismo.  
Segundo Weber deixa claro que foram os conceitos do ascetismo. A valorização do cuidado da alma e da integridade oral e a valorização do profissionalismo, deixando acentuado o desprezo ao corpo, a imagem, e aos desejos carnais.
O homem oriental  conseguiu desenvolver-se no na mão de obra, nos empreendimentos científicos e racionais, incluindo cálculos e contabilidade sistemática, mas não tornou-se totalmente capitalista por não desenvolver o mercado de troca monetário, pois as riquezas e os negócios era associados à instituição familiar.
Weber em seu livro “ A Ética Protestante e o Espírito da Capitalismo”, esclarece que a consolidação do capitalismo se dá  em forma de ação social,oriunda dos ensinos do ascetismo, a religiosidade protestante, como também a valorização profissional. Este pensamento ensina que o homem deve valorizar sua vida espiritual, sua moral, sua integridade, sua observância as escrituras sagradas, isto veio acentuar o desapego ao corpo, a beleza, a luxúria e ao ócio orgulho. Acreditavam que o homem bem resolvido religiosamente, se  consegue ser sucedido espiritualmente, consegue ter negócios sólidos e bem equilibrados, crédito na praça, ser um bom pagador, tornando-se um homem virtuoso, de moral elevada. Para Weber, este homem é dotado de disciplina, parcimônia, discrição e poupança.
Estes elementos são os responsáveis pela verdadeira renovação alterando grupos dirigentes e elites econômicas, visto que na idade média os nobres cultivavam as artes, as terras, a moda, a etiqueta, o  conhecimento científico, a detenção da riqueza era pessoal, mas o trabalho, a produção ficava com os pobres, os plebeus, pois faziam crescer as riquezas de seus senhores feudais. Sabemos que neste período as riquezas concentravam na igreja, seus líderes, sacerdotes.
No capitalismo as riquezas deixam de ser pessoais, e passam a ser produzidas para os fins. A revolução do capitalismo trouxe esta riqueza para empresas, estado, os investimentos passam das mãos do homem para a sociedade. Isto ocorreu por ter ocorrido mudança nos parâmetros dos valores humanos, levando o mesmo a uma contínua dedicação ao trabalho. A busca não é mais por causa da obtenção do lucro, a riqueza, o patrimônio de títulos sociais, mas ao empreendedorismo, investimentos financeiros e a busca de status o alto nível social, mas em inserir-se como avanço tecnológico, na informatização, na microeletrônica, nas atividades produtivas e administrativas.
Formas de dominação social, a tradição e o carisma muitas vezes se confundem. 

            Para Weber na tradição a dominação é mantida por um homem autoritário, que representa ser um instrumento de poder e de propriedade, os bens são particulares. Tem nesta dominação o domínio das classes mais pobres, ditando as regras e detendo o poder exclusivo de decisão. Com a igreja atuando como sacerdotes que traziam o poder de administrar terras, e as doações de bens para suas igrejas. Além dos senhores feudais que decidiam a cerca das regras e obrigações dos plebeus de suas terras, onde todos os bens  produzidos pelos seus servos era de sua propriedade através de seus altos impostos, animais e agricultura. Estes senhores mantinham a tradição através de séculos.
            Na dominação carisma vem rompendo com a tradição que escravizava as classes pobres. Quebrando o domínio absoluto deste homem egocêntrico e aterrorizador, que mantinha a fortuna, as terras e a cultura um patrimônio pessoal. O domínio antes encontrado nos padres, papas, senhores, passa para as mãos do homem que descobre em si a liderança saindo do povo, sendo excepcionalmente brotada uma  nova ordem social, surgindo    novas modalidades de domínio e novos conceitos contrários as tradições autoritárias.
            Os valores tradicionais eram preservados para manter o total domínio do homem mais forte, mais rico e mais culto, aquele que tinha um título nobre, que dentre tantos podemos reconhecer os fanáticos pelo poder e riqueza, estes homens desejavam o poder absoluto tanto com relação a fortunas, como terras, como conquistas de nações, poder bélico, da igreja, da cultura.
O carisma traz consigo a oportunidade de surgirem entre o povo verdadeiros líderes comprometidos com a melhoria da sociedade, da igreja, da cultura, do conhecimento, além de verdadeiros políticos dispostos a igualdade nas escolhas e posicionamentos. Onde o acesso vem para quem buscar. A partir deste novo começo surgiu o aparecimento de novas normas e regras, estatutos, empresas, cargos, onde as riquezas vão gerar bem social, poder de compra e mão de obra qualificada. O líder não tem mais o caráter pessoal mas existe para defender e fazer valer as conquistas alcançadas, visando cuidar dos interesses de todos e não de seus próprios interesses.
            A sociedade moderna traz um legado de conquistas no mundo acadêmico, financeiro, profissional, cultural, científico e de censo crítico no processo da sua racionalização. Seus valores mudaram, tornaram-se absolutos em suas conquistas em todas as áreas de suas vidas, no profissional e no pessoal.
 Diagnóstico de Weber sobre o mundo moderno coloca que somos ao mesmo tempo dependentes e vítimas da racionalização.
      Weber cita o enfraquecimento da autonomia e criatividade dos indivíduos. Defende que as novas tecnologias e a informática deixou o homem previsível e muitas vezes solitário. A comunicação por mídias deixa o homem ligado a programas ligados a informática. Somos sem nenhuma dúvida dependentes deste meio de comunicação, de informática pois todo o mundo moderno gira em torno do virtual, por esta ferramenta o homem tem acesso ao banco, ao outro ser solitário do outro lado, proporciona acesso rápido as informações acadêmicas, possibilita compras, vendas de produtos, pesquisa, envia recados, fotos, traz o mapa para suas mãos e informações sofre atualidades, medicina, culinária, cursos e demais ações que são viáveis. O homem moderno depende do celular e computadores quase que durante todo o dia.
O homem tornou-se vítima quando passa a ser escravo deste meio deste para fazer amigos virtuais, namoros virtuais, vida solitária, sedentarismo, fuga e mentiras quanto a si mesmo, pedofilia e sites pornográficos  que devem ser bloqueados como outros sites que só viciam o homem em pelo tempo futurista. Nos  tornamos  vítimas quando somos enganados, roubados, invadidos, perdemos o emprego para a máquina, quando somos clonados, vigiados, temos prejuízos emocionais, intelectuais e morais. Quando deixamos e esquecemos como é ser criativo e alternativo. Deixamos por muitas vezes de pensar ou até mesmo de escrever corretamente, deixamos de desenhar e proporcionar ao outro o encanto de escrever e dirigir-se a ele com palavras de um vocabulário lúdico e inteligente de uma pessoa que ler e escreve com  uma  certa constância.















 

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